quinta-feira, 27 de março de 2008

Mestrado "Portugal Islâmico e o Mediterrâneo"

Abriu Mestrado e excede expectativas, promovido conjuntamente pela Universidade do Algarve, através do Departamento de História, Arqueologia e Património da FCHS, e pelo Campo Arqueológico de Mértola. O número de pré-inscritos ultrapassou as duas dezenas, e abre boas perspectivas para que o mestrado venha a funcionar já no próximo ano lectivo. A decisão de funcionamento do mestrado cabe ao CC da FCHS da Universidade do Algarve, ao qual irão ser propostas tanto a abertura formal do curso como o seguinte calendário de funcionamento. Candidaturas: 14 de Julho a 12 de Setembro; Selecção: 15 a 19 de Setembro; Inscrições: 22 de Setembro a 3 de Outubro; Início das aulas: 10 de Outubro. Os boletins de inscrição serão, após a deliberação do CC da FCHS, disponibilizados nas páginas web da FCHS (http://www.fchs.ualg.pt/)

quinta-feira, 20 de março de 2008

Sharia - A lei islâmica em Portugal

Jornal Público de 13.03.2008, título de artigo Sharia:
A sala da Mesquita Central de Lisboa está fria e quase vazia. Não há juízes nem advogados, mas aqui costumam reunir-se "sábios" que deliberam, sobre questões familiares ou sociais, como se estivessem num tribunal. A sua lei não é civil, mas islâmica - a Sharia.
É nesta sala que nos recebe um afável e sorridente Xeque David Munir. Tentando dissipar dúvidas e medos, o imã (guia religioso) fala pausadamente enquanto acalma o seu telemóvel, que não pára de tocar. Começa logo por clarificar que a exigência de a mulher "ser submissa" ao homem "não passa de uma metáfora".
"O que é ser submissa? É o homem dizer "levanta-te!" e ela levantar-se? Ou ele dizer "senta-te!" e ela sentar-se? Isso não é submissão, é ser escrava. Não tem nada a ver com a Sharia", frisa David Munir. "O facto de em algumas sociedades a mulher ainda ser considerada inferior, não tem nada a ver com a Sharia, mas com a tradição e a cultura" dos países.
Do mesmo modo, o facto de haver maridos que proíbem as mulheres de exercerem profissões é incompreensível para o Xeque. "Já tivemos de decidir num caso em que uma jovem licenciada que queria ter o seu emprego e o marido, por ciúmes ou machismo, não autorizava, mas conseguimos que ele mudasse de ideias." David Munir admite, todavia, que se os homens "ganharem o suficiente, as mulheres podem - se consentirem - ficar em casa a tratar da família", porque o sustento não é obrigação delas. Outra recomendação que ele faz às mulheres é que "não gastem mais do que os maridos ganham", se elas não contribuírem para as despesas.
É também com a "necessidade de o homem sustentar a família" que David Munir justifica a norma da Sharia de que o homem "tem direito ao dobro da herança" se um parente morrer, "porque ele é obrigado a ajudar, e a mulher não". No entanto, quando se trata de partilhas, ressalva, "cabe à família decidir se quer um acordo segundo a lei islâmica ou os tribunais civis". Também pode haver testamentos com cláusulas específicas que não sigam o que a Sharia determina, adianta.
O poder do divórcio
Quanto a separações, o Xeque lembra-se de um caso em que um membro da comunidade se mostrava tão renitente em conceder o divórcio à mulher que os teólogos tiveram de tomar uma decisão "segundo a Sharia". O casamento era apenas religioso e a deliberação foi "a favor da esposa, que tinha o direito de refazer a sua vida, mesmo que o marido não aceitasse".Uma interpretação rígida da Sharia dá ao homem o direito unilateral de se divorciar, sem causa (basta dizer três vezes, no decurso de três meses, "eu divorcio-me de ti"), enquanto a mulher tem de alegar "razões fortes", como infertilidade, distúrbios mentais, doenças contagiosas ou não apoio financeiro por parte do marido para que o seu pedido seja aceite. Esta não é interpretação do Xeque de Lisboa, que esclarece: "De acordo com a Sharia, a mulher pode pedir o divórcio sem nenhuma razão acima mencionada - chama-se Khula." David Munir clarifica ainda o que até alguns muçulmanos desconhecem: que antes de um contrato de casamento, a mulher pode exigir "o poder do divórcio". Assim sendo, "é ela quem dá e é ele quem pede". A ignorância leva a que os pais dos noivos às vezes recusem esta opção, porque questionam a validade da sua existência.O imã aconselha "muita prudência" aos maridos que, num assomo de fúria, renegam as esposas três vezes (em três períodos), porque, uma vez declarado o divórcio, mesmo que depois se arrependam, terão de esperar que a sua mulher volte a casar-se com outro e se separe deste para voltar a unir-se a ela.
Os teólogos em Portugal, acrescenta o Xeque, aconselham sempre a que o casamento religioso islâmico (ainda não contemplado na lei portuguesa) seja em simultâneo com o civil. Obter a documentação necessária é, contudo, um processo moroso (sobretudo quando se é imigrante ilegal), e as pessoas vêm à mesquita "porque querem regularizar a sua situação familiar para não viverem em pecado".
Uma coisa é certa, embora alguns orientadores religiosos digam que o islão permite aos rapazes e raparigas casarem assim que cheguem à puberdade, 14-15 anos, na comunidade islâmica portuguesa - criada há precisamente 40 anos e agora com 40 mil membros - segue-se à risca a lei que exige autorização dos pais para quem quiser casar antes dos 18. "Não queremos que nos acusem de casar menores nas mesquitas", defende-se o Xeque."A Sharia não é uma lei bárbara e ultrapassada como alguns pensam. Trata todos como iguais. Não nos interessa agradar aos homens ou às mulheres, mas apenas fazer o que é justo de acordo com a lei", enfatiza o Xeque. Em situações de separação de um casal, "damos até três meses para ambos pensarem. Tentamos sempre obter o consentimento mútuo, mas quando não há essa possibilidade, o que ficou decidido está decidido. Se uma das partes não gostou, paciência."
Mas, perguntamos nós, e quando há violência doméstica, a mulher terá de suportar os abusos do marido até os teólogos concluírem que a solução é o divórcio? Responde David Munir: "O marido tem de sair de casa e ela fica. Se já não houver convivência pacífica, ele vai para a rua. E isto é Sharia! Ela não tem de suportar um marido violento." Bater ou repreender?O Xeque admite que no Corão se diz que "quando uma mulher é desobediente", o marido "pode repreendê-la", embora teólogos misóginos, com uma interpretação mais radical, considerem "ser legítimo bater depois de admoestar".
David Munir frisa: "O Profeta [Maomé] nunca levantou a mão a nenhuma das suas esposas, e até chamou a atenção de vários maridos para que não batessem nas suas mulheres. Se vivemos numa sociedade onde é comum os homens baterem nas mulheres, não podemos dizer que isso é islâmico. É usar o islão erradamente. Eu defendo que não se deve bater, que não se deve levantar a mão. E, se por acaso, numa disputa, numa azeda troca de palavras, o homem for violento, que de imediato peça desculpas. Mas se persistir, e a mulher já não o conseguir aturar, ela tem o direito de pedir o divórcio, e o divórcio ser-lhe-á dado. Se ela se justificar, com provas, ele será obrigado a divorciar-se.
"O imã reconhece que algumas mulheres preferem sofrer em silêncio do que denunciar os maus tratos a que são sujeitas pelos maridos. "Para a comunidade, estes são uns santos, pessoas exemplares, e elas temem não ser levadas a sério." O que faz o Xeque? "Eu tento encorajar as mulheres a pedirem ajuda a instituições que as protejam, a si e aos seus filhos, ou que me deixem falar directamente" com os abusadores.Tutela dos filhosJá aconteceu a David Munir ser, "surpreendentemente", chamado pela Comissão de Protecção de Menores, "porque envolveu até a polícia", para dar o seu parecer numa disputa de tutela de filhos por um casal.
Nestas situações, ele aconselha de acordo com a Sharia, mas a palavra final cabe aos tribunais civis - aliás, faz questão de sublinhar que todos os casamentos litigiosos são encaminhados por si e pelos seus colegas imãs para as instâncias do Estado. Eles só tratam de separações amigáveis, e assevera que nunca tiveram de decidir sobre quem tinha direito à custódia das crianças.Se ele tivesse de o fazer, não tem dúvidas de que avaliaria "o que seria melhor" para os filhos. "Há pessoas que dizem que os filhos, após um divórcio, pertencem ao pai, mas não é bem assim", explica. "Se a criança for menor, nos primeiros dois anos, fica com a mãe por causa do aleitamento."
"O que a natureza nos diz é que a criança precisa mais da mãe. O pai é obrigado a dar o sustento. A criança só tem de ficar com o pai se a mãe não tiver condições, físicas, mentais ou financeiras, de a criar. Há teólogos que defendem uma tutela conjunta. Até agora, nunca fomos solicitados a decidir em termos de tutela, mas houve casos em que a questão se colocou, por exemplo, se um pai que passa o tempo fora de casa está em condições de manter os filhos.
"Casos mais comuns que são submetidos à apreciação dos teólogos são os relacionados com dívidas. "Alguém vem à comunidade e queixa-se: "Aquele fulano, que vocês conhecem, deve-me dinheiro e não me paga." Então, chamamos a pessoa acusada, conversamos com ela, vemos como foi feito o contrato de empréstimo, se foi verbal ou por escrito, se passou ou não pelo notário, e as pessoas envolvidas acabam por aceitar as nossas decisões. É que o devedor, se não pagar, está a desrespeitar a sua crença, e fica numa situação desconfortável perante a comunidade."Conselhos sobre poligamia
Nota final: no site myciw.org (Comunidade Islâmica da Web), uma senhora apenas identificada como Patrícia pergunta: "Sou cristã e busco respostas sobre casamento muçulmano - direitos e deveres. Meu marido deseja converter-se em muçulmano. Uma das principais razões é o facto de desejar ter outra mulher, por sua vez muçulmana, que conhece há pouco tempo. Acontece que amo o meu marido e desejo a sua felicidade mas seu comportamento mudou comigo. Pretende que eu abdique do nosso quarto para estar com ela. Pretende que eu continue a trabalhar, enquanto ela fica em casa à espera dele. Até falou em arranjar empregada para ela não fazer nada em casa. Amo o meu marido mas sinto seu coração injusto. E se meu marido deseja ser muçulmano, eu só desejo conhecer a lei muçulmana para saber se ele está sendo correcto comigo ou não. Dentro de 15 dias essa mulher muçulmana chega a nossa casa."
O Xeque Munir vai lendo em voz alta a mensagem à sua frente, linha a linha, e começa a dar respostas, sabendo que a poligamia é permitida pelo islão mas proibida em Portugal (e também em países muçulmanos de regimes laicos como a Tunísia e a Turquia)."Se o homem for muçulmano, para casar com outra não pode dar a esta o quarto da primeira mulher", sentencia. "Já está a começar mal. Isto não é Sharia. Se uma das mulheres trabalhar, a outra tem de trabalhar. Isto é Sharia. Se ele arranjar empregada para uma, tem de arranjar para outra. Se ele já está a ser injusto, então não justifica ter outra mulher, porque vai manter a injustiça. O Alcorão diz: "Se tiver receio de não ser justo [com as suas mulheres, que podem ser quatro], fique só com uma.""Eu aconselharia esta senhora [Patrícia] a divorciar-se do marido, para ele casar com a outra. Vai custar, porque ela diz que gosta dele, mas é melhor ela sofrer durante seis meses ou um ano do que viver em permanente instabilidade.

sábado, 15 de março de 2008

Declínio tecnológico e científico na OCI

Os países-membros da Organização da Conferência islâmica (OCI), reunidos na 11º cimeira constataram que estão em declínio em termos de desenvolvimento da ciência e tecnologia, principalmente os países em vias de desenvolvimento. As razões apontadas, despesas para a pesquisa e desenvolvimento científico são elevadas e insuportáveis. A percentagem do PIB alocada para cobrir as despesas de investigação na ciência e tecnologia varia entre 0.10% no Senegal e 6.33% na Jordânia (a média nos países da OCI é de 0.6% e a média mundial ronda os 2.6%). Consequências, o número de publicações científicas caminha para a insignificância e o número de pessoas afectas ou que abraçam a investigação científica é reduzido não permitindo avanços tecnológicos.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Comunidade Muçulmana na RTP2

"Comunidade Muçulmana de Portugal" é o tema do programa "Nós" do dia 16 de Março de 2008 na RTP2. O Sheik Munir é entrevistado e num relance pode-se vêr: o Centro Cultural Islâmico do Porto, o único Talho islâmico da cidade do Porto, o Colégio Islâmico de Palmela, os festejos islâmicos de Mértola, o jogo de futebol entre o Essalam vs Angolanos do Porto, o folclore do sul de Marrocos e a Associação Luso-Turca do Porto. O programa "Nós" é destinado a histórias de vidas construídas em Portugal, a manifestações culturais e sociais dos imigrantes e deste modo acompanha a complexa situação em que vivem as pessoas, provenientes das mais diversas partes do mundo, dando a conhecer o lado positivo, a mais valia, mas também as dificuldades dos que procuram Portugal para encontrar melhores condições de vida.

segunda-feira, 10 de março de 2008

11ª Cimeira da Organização da Conferência Islâmica (OCI)

Realiza-se entre o dia 13 e 14 de Março de 2008 a 11ª Cimeira da Organização da Conferência Islâmica (OCI), a ter lugar em Dacar, capital do Senegal, cuja agenda principal visa debater os desafios da “Causa Islâmica no Século XXI”, em plenária de Chefes de Estado, sobre o tipo de parcerias que a organização poderá promover entre os seus membros. A anteceder a abertura da conferência, o encontro ministerial para a preparação dos documentos e aspectos administrativos relativos à passagem do testemunho da Malásia, actual detentora da presidência rotativa, para o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade. Esta reunião reúne 57 países e representa 1,3 bilhão de muçulmanos. Dedicada à promoção da solidariedade muçulmana, a OCI foi criada em Setembro de 1969 durante uma reunião de 24 chefes de Estado muçulmanos após um incêndio na mesquita al-Aqsa de Jerusalém.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Fundo de acordo com a lei islâmica

O Banco Best lançou em finais do ano passado o primeiro fundo, em Portugal, que está de acordo com as disposições da Sharia, a lei islâmica. O fundo "Fundo Credit Suisse Sicav One (Lux) Equity Al-Buraq" exclui tudo o que tem a ver com cobrança ou pagamento de juros, proibidos para a comunidade islâmica. O fundo é gerido pela Credit Suisse, e centra-se em empresas com características mais defensivas, privilegiando o investimento nos sectores da saúde, farmácia, energia, metais e mineiro e transportes. Para assegurar que os investimentos são de acordo com as disposições islâmicas, foi criado um "Comité de Aconselhamento" composto por três proeminentes especialistas na Sharia. (Link).
Em "Islamonline.com" pode lêr-se que o ABSA um banco Sul Africano introduziu um serviço que possibilitará aos seus clientes muçulmanos abrir contas de poupança que estejam de acordo com a lei da Sharia. Os seus produtos e serviços terão como alvo os mercados das comunidades muçulmanas da Grã-Bretanha, Alemanha, Singapura, Angola, Moçambique, Tanzânia e Zimbabwe. Os clientes poderão usufruir da rede das caixas automáticas do banco assim como de um serviço de call center especifico à banca islâmica. O Banco oferece também serviços de gestão de recursos financeiros e produtos de investimento, e poder-se-á comprar um automóvel através de um produto que o Banco tem, tudo em conformidade com a lei Islâmica.
Na Malásia, segundo o ministro das finanças malaio, Nor Mohamed Yakcop, a Malásia está em vias de tornar-se no centro das finanças islâmicas: “Nós temos o que é preciso, crescemos muito em 24 anos desde 1983, quando só havia um banco islâmico. O aumento da aceitação dos produtos financeiros islâmicos oferece grandes oportunidades para os financeiros malaios.” O sr. Yakcop acrescentou que “o caminho é expandir a diversidade dos produtos para ir ao encontro dos requisitos pretendidos pelos investidores sofisticados”, deste modo, os malaios muçulmanos criaram um esquema a longo prazo para desenvolver novos planos de investimento com o objectivo de atrair os fundos globais islâmicos, numa tentativa de tornar a Malásia num centro de finanças islâmicas com importância a nível global.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Sheik Munir na Maia

Porto, 09 Fev (Lusa) - O líder da comunidade muçulmana de Lisboa, sheikh David Munir, criticou hoje, na Maia, a confusão crescente do Islão com o terrorismo, desde os atentados de 11 de Setembro de 2001, em Nova Iorque.
"É uma situação insustentável porque, desde então, os muçulmanos entram em paranóia cada vez que rebenta uma bomba no mundo, porque todos pensam que foram eles, mesmo que isso não seja verdade", afirmou.
O sheikh acrscentou que esta mudança de atitude face aos muçulmanos repete-se e muitas outras situações do quotidiano.
"Antigamente, se uma mulher muçulmana tapava o cabelo, era olhada com curiosidade, hoje em dia isso é encarado quase como uma provocação. Já as freiras católicas podem tapar o cabelo à vontade, sem despertar qualquer reacção", exemplificou David Munir.
O líder religioso falava durante uma conferência/debate promovida pelo Instituto Superior da Maia sob o tema "As religiões e a construção do futuro", em que participaram também o bispo do Porto, D. Manuel Clemente, e Nuno Whanon Martins, especialista da religião judaica.
O sheikh Munir aproveitou a ocasião para procurar desfazer uma série de equívocos muito comuns que, no seu entender, distorcem a imagem do Islão.
"Por exemplo, os casamentos arranjados não são Islão, são tradição, se existem é porque fazem parte das culturas locais", afirmou, acrescentando que o Corão garante às mulheres a possibilidade de escolherem os seus maridos e vice-versa.
Sublinhou ainda que os casamentos arranjados são prática em muitas culturas e religiões e até ao século XIX e meados do século XX eram correntes na Europa.
"O mesmo acontece com o dote que as famílias das noivas dão aos noivos,o que acontece também em muitas outras religiões, incluindo a cristãs. Isso não faz parte do Islão, não há nada no Corão que o legitime. Dote não é Islão, é tradição", afirmou.
David Munir admitiu, porém, que o Islão não separa o poder político do religioso.
"No Islão há só um poder e uma lei, a Sharia (conjunto de leis religiosas islâmicas), mas não conheço nenhum país islâmico no mundo que a aplique a cem por cento", defendeu.
Relativamente à posição das mulheres na sociedade islâmica, o sheikh frisou que há muitas proibições em países islâmicos que nada têm a ver com a Sharia, mas sim com costumes locais.
"São exemplos disso, a proibição de conduzir na Arábia Saudita, que não existe em mais país islâmico nenhum, e o acesso a lugares de direcção política, que também não é vedado às mulheres, como se viu no Paquistão, com a senhora Benazir Bhutto, que foi primeira-ministra por duas vezes, num país islâmico".
Criticou também a ideia vigente de que o Islão é contrário ao trabalho das mulheres.
"Vejam o meu caso pessoal, a minha mulher é médica, trabalha e até ganha muito mais do que eu. É claro que isso não vai contra o Islão", garantiu.
Quanto ao acesso à religião islâmica, o sheikh garantiu que "qualquer um que o deseje pode entrar na religião islâmica e é bem-vindo".
Já para um muçulmano, convertido ou de origem, sair da religião as coisas são um pouco mais complicadas.
"Se as pessoas têm dúvidas e querem sair, há sempre toda a abertura para as esclarecer", sublinhou.
Mas se mesmo assim as dúvidas permanecerem, as pessoas são livres de sair, deixando de frequentar as mesquitas "desde que o façam com recato, de forma não ostensiva", mesmo em países islâmicos.
"O Corão diz que aqueles que rejeitarem o Islão terão que se enfrentar directamente com Deus. Os homens não têm poder para os julgar", assegurou.
No entanto, o sheikh admitiu que, embora o Corão não reconheça aos homens a faculdade de julgar os apóstatas, essa atitude é muitas vezes sancionada severamente pelas sociedades islâmicas no seu ordenamento jurídico, sempre e quando o abandono da fé seja assumido publicamente e de forma afrontosa.

PF.
Lusa/Fim

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Jejum de Asshooraa

O Profeta Muhammad SAW disse: "O melhor Jejum depois do mês de Ramadan é o do Mês de ALLAH, o Muharram" (Relatado por Muslim, 1976). Jejua-se dias 9 e 10 ou 10 e 11 de Muharram, uma generosidade de ALLAH, concessão da expiação dos pecados de um ano inteiro. O dia 10 de Muharram calha no sábado, 19 de Janeiro de 2008.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Blog Portugal Islâmico

O blog Portugal Islâmico é um blog destinado a divulgar, apenas e só, a cultura islâmica. Para aceder a página web clique ENTER.